O desenvolvimento que aporta na região parece não fazer muita diferença para o tradicional setor canavieiro, que já projetou o nome do município de Campos entre um dos maiores produtores do país em épocas áureas, quando a região chegou a possuir quase 20 indústrias de processamento de açúcar e álcool em pleno funcionamento.
No mês de maio, mais uma safra terá início e, novamente, o setor será alvo de denúncias de ambientalistas que levantam bandeiras contra a queima da palha da cana, além dos defensores sazonais da classe operária, que insistem em pregar que no campo só existe trabalho escravo.
Engraçado é que ninguém procura saber, na entressafra, o que as pessoas que trabalham nas lavouras de cana, fazem para garantir o sustento de suas famílias, como se comecem e ficassem doentes apenas no período da safra da cana. Ninguém procura saber dos demais trabalhadores, motoristas de caminhão, entre outros que transportam a cana das lavouras até as usinas, se estão recebendo em dia ou se os valores pagos são justos diante da importância do setor para o Estado do Rio e, consequentemente, o país.
Os mesmos defensores sazonais deveriam visitar cerâmicas e lavouras de outras culturas para quem sabe conhecerem de perto os termos "exploração de menores", "trabalho escravo" e "mínimas condições de trabalho", além de defenderem crianças mutiladas e que não denunciam proprietários de indústrias com medo dos pais perderem o único trabalho que garante o pão de cada dia da família.
Aliás, esses mesmos defensores deveriam tomar para si causas como a dos produtores rurais do 5º distrito de São João da Barra, que vêem suas lavouras, nas quais dedicaram suas vidas e que poderiam garantir um futuro melhor para seus filhos e netos, sendo desvalorizadas e destruídas em nome de um desenvolvimento que beneficiará única e exclusivamente empresários que descobriram, agora, as "potencialidades" da região. Porque a população humilde e sacrificada não pode contar com a ajuda desses super defensores sazonais?
É bom que os ditos "defensores dos fracos e oprimidos" fiquem alerta. Outro grande empreendimento está sendo erguido entre Campos e Quissamã, em Barra do Furado. Inúmeras famílias do distrito quissamaense, além de outras mais de Campos, sobrevivem da pesca. Quem garante que estes mesmos trabalhadores terão, num futuro bem próximo, de onde tirar os peixes que alimentam seus lares e garantem o sustento das famílias com a construção do complexo que transformará o Canal das Flechas em via de navegação para grandes embarcações?
Com a palavra, nossos defensores sazonais.